Salmo 116 — Amor a Deus pelo Livramento: Uma Resposta de Gratidão e Confiança
Em meio às tribulações da vida, o coração humano busca desesperadamente por alívio e esperança. O salmista, inspirado pelo Espírito Santo, nos presenteia com um dos mais pungentes e pessoais cânticos de ação de graças de todo o Saltério. O Salmo 116 não é apenas um poema antigo; é o eco de uma alma que experimentou o livramento divino em sua forma mais profunda e, como resposta, transborda em amor e gratidão. É o testemunho de alguém que esteve à beira do abismo e foi resgatado por uma mão poderosa e amorosa. Neste artigo, mergulharemos nas águas profundas deste salmo, explorando seu contexto histórico, desvendando cada versículo e, acima de tudo, aplicando suas verdades eternas à nossa caminhada cristã. Prepare o seu coração para ser confrontado e consolado pela certeza de que o Senhor ouve o clamor dos seus filhos e se inclina para salvá-los.
Contexto Histórico e Autoria do Salmo 116
O Salmo 116 é um dos chamados “Salmos de Hallel” (Salmos 113 a 118), tradicionalmente recitados pelos judeus durante as grandes festas, especialmente a Páscoa. Acredita-se que o próprio Senhor Jesus e os seus discípulos entoaram estes salmos na noite em que Ele foi traído, antes de seguir para o Getsêmani (Mateus 26:30). Essa conexão histórica confere ao salmo uma camada adicional de profundidade, pois ele fala de livramento e sacrifício, temas que se cumprem de maneira suprema na cruz do Calvário.
Quanto à autoria, o salmo é anônimo, mas tradicionalmente atribuído a Davi ou a algum outro salmista que passou por uma experiência de extremo perigo e enfermidade. O texto sugere que o autor esteve à beira da morte, cercado por dores e angústias, e clamou ao Senhor, que o ouviu e o livrou. Alguns estudiosos veem aqui uma referência a uma grave enfermidade, enquanto outros apontam para perseguições ou perigos iminentes. Seja qual for a circunstância específica, o salmo é universal em sua aplicação: ele descreve a jornada de todo aquele que, estando encurralado pelas adversidades, encontra em Deus o seu único e suficiente socorro.
A estrutura do Salmo 116 é marcada por uma transição do lamento para o louvor. Nos primeiros versículos, o salmista relembra a sua angústia e o seu clamor. Em seguida, ele exalta a bondade e a justiça de Deus, que o livrou. A partir do versículo 12, ele responde a esse livramento com uma consagração total: “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?”. Essa pergunta ecoa no coração de todo redimido, que, confrontado com a graça imerecida, busca uma forma de expressar sua gratidão.
SALMO 116 (ARC — Almeida Revista e Corrigida)
1 Amo ao Senhor, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica.
📖 Leia também:
2 Porque inclinou a mim os seus ouvidos; portanto, invocá-lo-ei enquanto viver.
3 Os cordéis da morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; encontrei aperto e tristeza.
4 Então, invoquei o nome do Senhor, dizendo: Ó Senhor, livra a minha alma.
5 Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus é misericordioso.
6 O Senhor guarda aos símplices; fui abatido, e ele me livrou.
7 Volta, minha alma, ao teu repouso, pois o Senhor te fez bem.
8 Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas e os meus pés da queda.
9 Andarei perante a face do Senhor, na terra dos viventes.
10 Cri, por isso falei; estive muito aflito.
11 Disse na minha pressa: Todo homem é mentiroso.
12 Que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?
13 Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor.
14 Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo.
15 Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos.
16 Ó Senhor, deveras sou teu servo; sou teu servo, filho da tua serva; soltaste as minhas ataduras.
17 Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor e invocarei o nome do Senhor.
18 Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo,
19 nos átrios da Casa do Senhor, no meio de ti, ó Jerusalém. Louvai ao Senhor.
Comentário Versículo por Versículo
Versículo 1: “Amo ao Senhor, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica.”
O salmo começa com uma declaração de amor pessoal e íntimo: “Amo ao Senhor”. Este não é um amor teórico ou ritualístico, mas um amor que brota de uma experiência concreta. A razão é clara: “porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica”. O fundamento do amor do salmista não está em sentimentos vagos, mas na certeza de que Deus é um Deus que ouve. Ele não é um ser distante e indiferente; Ele inclina os seus ouvidos para o clamor dos seus filhos. Isso nos ensina que o nosso amor por Deus é sempre uma resposta ao seu amor e à sua fidelidade para conosco (1 João 4:19). Cada oração respondida, cada livramento experimentado, é um motivo a mais para amarmos Aquele que nos ama primeiro.
Versículo 2: “Porque inclinou a mim os seus ouvidos; portanto, invocá-lo-ei enquanto viver.”
Aqui vemos a reciprocidade da fé. Deus ouviu, e o salmista responde com uma resolução: “invocá-lo-ei enquanto viver”. A oração não é um evento isolado, mas um estilo de vida. A certeza de que Deus nos ouve nos encoraja a perseverar na comunhão com Ele. A expressão “inclinou a mim os seus ouvidos” é profundamente tocante. Ela sugere que Deus se abaixa, por assim dizer, para ouvir a nossa voz frágil e débil. Que privilégio imenso! O Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, se importa com o nosso clamor mais singelo. Essa confiança nos leva a uma vida de oração ininterrupta, não por obrigação, mas por gratidão.
Versículo 3: “Os cordéis da morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; encontrei aperto e tristeza.”
O salmista não romantiza a sua dor. Ele descreve com realismo a profundidade do seu sofrimento. “Cordéis da morte” e “angústias do inferno” são metáforas poderosas para um perigo extremo e iminente. Ele se sente encurralado, sem saída. “Encontrei aperto e tristeza” – essa é a linguagem da alma oprimida. Muitos de nós conhecemos bem essa sensação. Momentos em que as dificuldades parecem um laço apertado em volta do pescoço, e a tristeza ameaça nos engolir. É importante notar que o salmista não esconde a sua aflição. Ele a apresenta diante de Deus com honestidade brutal. Isso nos ensina que podemos levar a Deus as nossas dores mais profundas, sem máscaras ou fingimentos.
Versículo 4: “Então, invoquei o nome do Senhor, dizendo: Ó Senhor, livra a minha alma.”
No auge do aperto, o salmista toma a decisão mais sábia: “invoquei o nome do Senhor”. O clamor “Ó Senhor, livra a minha alma” é curto, direto e desesperado. Não há palavras rebuscadas ou orações eloquentes. Há apenas o grito de quem sabe que só Deus pode ajudar. Este versículo é um modelo para a nossa oração em tempos de crise. Muitas vezes, pensamos que precisamos de palavras específicas ou de uma fórmula mágica para sermos ouvidos. Mas Deus se agrada da sinceridade e da dependência. O simples clamor “livra a minha alma” chega ao trono da graça. Ele ouve o coração quebrantado e contrito (Salmo 51:17).
Versículos 5-6: “Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus é misericordioso. O Senhor guarda aos símplices; fui abatido, e ele me livrou.”
Após o clamor, vem a confissão teológica. O salmista declara o caráter de Deus: “Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus é misericordioso”. Esses atributos não são abstratos; eles são a base da sua confiança. Deus é piedoso (cheio de graça e compaixão), justo (fiel às suas promessas) e misericordioso (cheio de amor leal). E essa verdade se aplica especialmente aos “símplices”, ou seja, aos humildes, aos que reconhecem a sua própria fraqueza e dependência. O salmista se coloca nessa categoria: “fui abatido, e ele me livrou”. A nossa fraqueza é o palco para a manifestação do poder e da graça de Deus. Quando estamos abatidos, Ele nos levanta.
Versículo 7: “Volta, minha alma, ao teu repouso, pois o Senhor te fez bem.”
Aqui, o salmista fala à sua própria alma. Ele a exorta a encontrar descanso. Após a tempestade, vem a calmaria. A alma, que antes estava em agitação e aperto, é agora convidada a retornar ao “repouso” – um estado de paz e confiança em Deus. A razão é simples: “pois o Senhor te fez bem”. A bondade de Deus é o fundamento do nosso descanso. Muitas vezes, mesmo após o livramento, continuamos ansiosos e inquietos, como se não acreditássemos plenamente naquilo que Deus fez. Precisamos aprender a pregar para nós mesmos, ordenando à nossa alma que descanse na fidelidade divina. A paz não é a ausência de problemas, mas a presença de Deus em meio a eles.
Versículo 8: “Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas e os meus pés da queda.”
Este versículo revela a abrangência do livramento divino. Deus não apenas salva a alma da morte eterna, mas também enxuga as lágrimas e firma os nossos passos. O livramento é tridimensional: espiritual (alma), emocional (olhos) e prático (pés). Deus se importa com o nosso sofrimento integral. Ele vê cada lágrima derramada e nos segura para que não caiamos. Essa é uma verdade consoladora. Não importa a profundidade da sua dor ou o risco de tropeçar, o Senhor está presente para livrar, confortar e sustentar.
Versículo 9: “Andarei perante a face do Senhor, na terra dos viventes.”
O livramento não tem apenas um propósito retrospectivo (tirar do perigo), mas também prospectivo (andar em novidade de vida). O salmista declara a sua intenção de viver de agora em diante “perante a face do Senhor”. Isso significa viver em constante consciência da presença de Deus, andando em santidade e obediência. A expressão “na terra dos viventes” indica que a sua fé não é uma fuga do mundo, mas uma caminhada real e prática no aqui e agora. A gratidão pelo livramento se traduz em uma vida de comunhão e testemunho.
Versículos 10-11: “Cri, por isso falei; estive muito aflito. Disse na minha pressa: Todo homem é mentiroso.”
O salmista confessa que, mesmo em meio à sua fé (“Cri, por isso falei”), ele passou por momentos de dúvida e desespero. A expressão “na minha pressa” (ou “no meu alarme”) revela um momento de fraqueza humana. Ele chegou a concluir que “todo homem é mentiroso”, ou seja, que não se podia confiar em ninguém. Essa é uma admissão honesta de que a fé não elimina as lutas internas. Mesmo os maiores santos podem ter momentos de vacilação. No entanto, o importante é que ele não ficou na dúvida; ele clamou e foi ouvido. A fé verdadeira não é a ausência de dúvida, mas a decisão de continuar confiando em Deus apesar dela.
Versículos 12-13: “Que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor.”
Esta é a pergunta central do salmo: “Que darei ao Senhor?”. O salmista se sente devedor, mas sabe que não pode pagar a Deus com coisas materiais. A sua resposta é surpreendente: “Tomarei o cálice da salvação”. O “cálice da salvação” é uma metáfora para a própria salvação que Deus oferece. Em outras palavras, a melhor maneira de agradecer a Deus pelo dom da salvação é recebê-lo de coração aberto e viver em constante dependência Dele. Além disso, ele continuará “invocando o nome do Senhor”. A gratidão se expressa na continuidade da comunhão e na celebração pública da sua fé.
Versículo 14: “Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo.”
O salmista se compromete a cumprir as promessas que fez a Deus durante o período de angústia. Ele não se esquece dos seus votos. E mais, ele o faz publicamente, “na presença de todo o seu povo”. A gratidão não é um sentimento privado; ela deve ser testemunhada. O nosso louvor e testemunho na comunidade de fé são uma forma de “pagar os nossos votos” e edificar os irmãos. Quando compartilhamos o que Deus fez por nós, encorajamos outros a confiar Nele.
Versículo 15: “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos.”
Este versículo é frequentemente mal interpretado. Ele não significa que Deus deseja a morte dos seus servos, mas que a morte deles é algo valioso e significativo para Ele. Deus não vê a morte dos seus santos como algo trivial ou sem importância. Pelo contrário, Ele a considera “preciosa”. Isso nos dá uma enorme segurança. A morte não é o fim para o crente; é a passagem para a presença do Senhor. E Deus está perto dos seus filhos nesse momento crucial. O próprio Senhor Jesus, ao morrer na cruz, entregou o seu espírito nas mãos do Pai, e a sua morte foi preciosa aos olhos de Deus, pois selou a nossa redenção.
Versículo 16: “Ó Senhor, deveras sou teu servo; sou teu servo, filho da tua serva; soltaste as minhas ataduras.”
Aqui, o salmista reafirma a sua identidade como servo de Deus. Ele não é apenas um servo qualquer, mas alguém que nasceu em uma casa de servos (“filho da tua serva”). Isso indica uma dedicação que vem de berço, uma escolha consciente e hereditária de servir ao Senhor. A razão para essa declaração é o livramento: “soltaste as minhas ataduras”. Deus o libertou de todas as amarras – do medo, da morte, da tristeza. Em resposta, ele se coloca voluntariamente sob o senhorio de Deus. A verdadeira liberdade não é fazer o que queremos, mas viver para Aquele que nos libertou.
Versículos 17-19: “Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor e invocarei o nome do Senhor. Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo, nos átrios da Casa do Senhor, no meio de ti, ó Jerusalém. Louvai ao Senhor.”
O salmo termina com uma explosão de louvor e adoração. O “sacrifício de louvor” é a oferta que o salmista traz a Deus. Diferente dos sacrifícios de animais, este é um sacrifício espiritual, que brota de um coração grato. Ele reafirma o seu compromisso de testemunhar publicamente (“na presença de todo o seu povo”) e de adorar no local designado por Deus (“nos átrios da Casa do Senhor”). A última palavra é um convite: “Louvai ao Senhor”. O louvor pessoal transborda em adoração comunitária. A nossa gratidão individual deve nos levar a celebrar juntos a grandeza de Deus.
Reflexão: O Salmo 116 nos mostra que o amor a Deus não é baseado em emoções passageiras, mas na certeza de que Ele nos ouve e nos livra. Cada versículo é um degrau na jornada da aflição à adoração. Que possamos, como o salmista, fazer da nossa vida um contínuo “sacrifício de louvor”.
Aplicação Prática para o Cristão Hoje
O Salmo 116 não é apenas um belo poema antigo; ele é um manual de vida para o cristão contemporâneo. Em um mundo marcado pela ansiedade, pelas incertezas e pelas dores, este salmo nos oferece um caminho prático de fé. Aqui estão algumas aplicações diretas para a nossa caminhada:
1. Cultive uma Vida de Oração Sincera: O salmista nos ensina que a oração não precisa ser rebuscada. Um simples clamor “Ó Senhor, livra a minha alma” é suficiente. Em meio às suas lutas, não se esconda de Deus. Clame a Ele com honestidade. Ele ouve a voz da sua súplica. Não desista de orar, mesmo quando as respostas parecem demorar. A oração é o fio que nos liga ao coração de Deus.
2. Lembre-se e Testemunhe dos Livramentos: O salmista faz questão de recordar o que Deus fez. Ele não permite que o livramento caia no esquecimento. Nós também precisamos cultivar uma memória agradecida. Anote as orações respondidas, os livramentos experimentados. Compartilhe esses testemunhos com a sua família, com os seus irmãos na fé. O testemunho pessoal é uma poderosa ferramenta de encorajamento e evangelismo. Ao contar o que Deus fez por você, você fortalece a sua própria fé e edifica a igreja. Se você está passando por um momento difícil, lembre-se das vezes em que Deus já te ajudou. A fidelidade passada é uma garantia da fidelidade futura.
3. Descanse na Soberania e Bondade de Deus: A exortação “Volta, minha alma, ao teu repouso” é um chamado para abandonarmos a ansiedade e confiarmos na bondade de Deus. Muitas vezes, após um livramento, já estamos preocupados com o próximo problema. Precisamos aprender a descansar. Isso não é passividade, mas uma confiança ativa de que Deus está no controle. Ele é “piedoso, justo e misericordioso”. Você pode confiar o seu futuro nas mãos Dele. Para aqueles que lutam contra a ansiedade, este salmo é um bálsamo. Ele nos convida a trocar o fardo da preocupação pelo jugo suave de Cristo. Se você deseja aprofundar essa confiança, sugerimos o devocional 30 Dias de Paz, que pode ajudá-lo a encontrar descanso na presença de Deus.
4. Responda com Gratidão e Consagração: A pergunta “Que darei ao Senhor?” deve ecoar em nossos corações. A nossa resposta não pode ser apenas de palavras, mas de vida. Ofereçamos a Deus o “sacrifício de louvor” – o fruto dos nossos lábios que confessam o seu nome. Mas também ofereçamos a nossa própria vida como um sacrifício vivo (Romanos 12:1). Isso significa viver em obediência, servindo a Deus e ao próximo. A nossa gratidão se expressa em ações concretas de amor e serviço. Se perdoar alguém que te magoou é um desafio, lembre-se de que Deus te perdoou e te livrou. Leia o artigo Como Perdoar Quem Me Machucou para entender como a gratidão a Deus pode nos capacitar a perdoar.
5. Valorize a Comunhão dos Santos: O salmista presta os seus votos “na presença de todo o seu povo”. A nossa fé não é vivida no isolamento. Precisamos da comunhão da igreja para celebrar as vitórias, compartilhar as lutas e crescer juntos. Não abandone a congregação. O louvor coletivo é uma expressão poderosa da nossa gratidão. Ao nos reunirmos, proclamamos juntos: “Louvai ao Senhor”. A sua presença na igreja não é apenas um dever, mas uma oportunidade de edificar e ser edificado.
Destaque: A gratidão não é um sentimento, mas uma disciplina espiritual. Quando escolhemos agradecer, mesmo em meio às dificuldades, estamos declarando que Deus é maior do que as nossas circunstâncias. O Salmo 116 nos ensina que o amor a Deus é a resposta natural ao seu amor por nós.
Prática Imediata: Separe alguns minutos do seu dia para escrever uma lista de pelo menos três livramentos que Deus já lhe concedeu. Podem ser grandes ou pequenos. Em seguida, ore agradecendo a Ele por cada um e peça a graça de viver em gratidão. Compartilhe um desses testemunhos com alguém hoje.
Se você está enfrentando um período de angústia, saiba que o Senhor ouve o seu clamor. Ele é o Deus que inclina os seus ouvidos para os seus filhos. Não permita que a ansiedade e o medo roubem a sua paz. A nossa oração da manhã pode ser um momento de entrega e confiança. Para te ajudar a começar o dia com fé, acesse Oração da Manhã e fortaleça a sua comunhão com Deus. Lembre-se: a fé que vence o mundo é aquela que confia no Filho de Deus (1 João 5:4-5).
Oração — Salmo 116
Senhor Deus, Pai Amado. Em nome de Jesus, eu me aproximo do Teu trono de graça com o coração transbordando de gratidão.
Eu Te amo, Senhor, porque Tu ouviste a minha voz e a minha súplica. Em meio às minhas angústias, quando os cordéis da morte me cercavam e a tristeza apertava o meu peito, eu clamei a Ti, e Tu me ouviste. Tu inclinaste os Teus ouvidos para o meu clamor.
Tu és piedoso e justo, ó Deus. Tu és misericordioso. Quando eu estava abatido e fraco, Tu me livraste. A Tua mão poderosa me resgatou do abismo e firmou os meus pés sobre a rocha.
Hoje, eu ordeno à minha alma que volte ao Teu repouso. Não quero mais viver agitado pelas preocupações. Quero descansar na certeza de que Tu és bom e que o Teu amor dura para sempre. Tu livraste a minha alma da morte, enxugaste as minhas lágrimas e me sustentaste para que eu não caísse.
Que darei a Ti, Senhor, por todos os benefícios que me tens feito? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o Teu nome. Oferecerei o sacrifício de louvor, não apenas com os meus lábios, mas com toda a minha vida. Quero andar perante a Tua face, na terra dos viventes, em santidade e obediência.
Eu Te entrego as minhas ataduras. Solta-me de todo peso do passado, de toda mágoa, de todo medo. Quero ser Teu servo, totalmente dedicado a Ti. Ajuda-me a perdoar assim como fui perdoado. Dá-me um coração grato e transbordante de amor.
Que o meu testemunho seja uma bênção na vida dos meus irmãos. Que eu possa proclamar as Tuas maravilhas na Tua casa e no meio do Teu povo. Louvado seja o Teu nome, agora e para sempre.
Amém.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre o Salmo 116
1. O que significa “Tomarei o cálice da salvação” no Salmo 116?
O “cálice da salvação” é uma metáfora que representa a própria salvação que Deus oferece. Na cultura bíblica, o cálice muitas vezes simbolizava o destino ou a porção que alguém recebia (como no Salmo 23:5, “o meu cálice transborda”). Aqui, o salmista declara que, em resposta aos benefícios de Deus, ele tomará (receberá) o cálice da salvação, ou seja, ele aceitará e celebrará a salvação divina como o seu bem mais precioso. Isso implica viver em constante ação de graças e dependência de Deus, invocando o seu nome e oferecendo louvor, em vez de tentar pagar a Deus com obras ou méritos humanos. É um ato de fé e gratidão.
2. Por que o versículo 15 diz que “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos”? Isso significa que Deus deseja a nossa morte?
Não, de forma alguma. O versículo não significa que Deus deseja ou se alegra com a morte dos seus servos. Pelo contrário, a palavra “preciosa” indica algo de grande valor, custoso e significativo. Deus não vê a morte dos seus santos como algo banal ou sem importância. Ele valoriza a vida dos seus filhos de tal maneira que a sua morte é um evento solene e importante aos seus olhos. Para o crente, a morte não é o fim, mas a passagem para a presença do Senhor. Deus está presente nesse momento, acolhendo o seu filho nos seus braços eternos. Além disso, no contexto do Salmo, o salmista acabara de ser livrado da morte, então ele reconhece que a vida é um dom precioso e que a morte, quando vier, estará nas mãos de um Deus que se importa profundamente.
3. Como posso aplicar o Salmo 116 na minha vida diária, especialmente quando estou passando por dificuldades?
O Salmo 116 oferece um roteiro prático para tempos de crise. Primeiro, seja honesto com Deus sobre a sua dor (v. 3-4). Não esconda os seus sentimentos; clame a Ele com sinceridade. Segundo, lembre-se do caráter de Deus: Ele é piedoso, justo e misericordioso (v. 5). Firme a sua fé nesses atributos, não nas circunstâncias. Terceiro, após o livramento, descanse (v. 7). Permita que a sua alma encontre paz na bondade de Deus. Quarto, responda com gratidão e ação (v. 12-14). Pergunte a si mesmo: “O que posso dar ao Senhor?”. A resposta pode ser louvor, obediência, serviço ou testemunho. Por fim, compartilhe a sua experiência com a comunidade de fé (v. 14, 18). O testemunho pessoal fortalece a igreja e glorifica a Deus. Para momentos de ansiedade, recomendamos a leitura do artigo Ansiedade na Fé, que pode oferecer direcionamento bíblico adicional.
Conclusão
O Salmo 116 é um convite irrecusável à gratidão. Ele nos tira do centro das nossas dores e nos coloca diante do Deus que ouve, livra e restaura. A jornada do salmista – do aperto ao louvor, da tristeza ao repouso, do clamor à consagração – é o modelo da vida cristã autêntica. Não somos chamados a negar as nossas lutas, mas a atravessá-las com a certeza de que o Senhor está conosco. O amor a Deus não é um sentimento superficial; é a resposta profunda e transformadora de quem experimentou o seu livramento.
Que possamos, como o salmista, declarar com toda a nossa vida: “Amo ao Senhor, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica”. Que a nossa existência seja um contínuo “sacrifício de louvor”, oferecido na presença de Deus e diante do seu povo. E que, ao final da nossa jornada, possamos ouvir do próprio Deus: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25:34). Até lá, andemos perante a face do Senhor, na terra dos viventes, confiantes no seu amor e na sua fidelidade. Louvai ao Senhor!
Para aprofundar o seu estudo e encontrar mais direcionamento bíblico, visite nossa seção de Versículos para diversas situações da vida.

